Escritas Urbanas: sobre expressões artísticas na fronteira

 

Cláudia Mariza Mattos Brandão
(attos@vetorial.net)
Resumo
Este artigo tem por objetivo discutir sobre os resultados parciais de pesquisa desenvolvida no âmbito do projeto “O PARA-FORMAL NA FRONTEIRA BRASIL-URUGUAI: controvérsias e mediações no espaço público”, cujas ações são dedicadas a dar voz e visualidade à “para-formalidade” nas cidades da fronteira-sul que fazem a divisa/união entre Brasil e Uruguai (Santana do Livramento-Rivera, Quaraí-Artigas, Jaguarão-Rio Branco, Barra do Quraí – Bella Unión, Chuí-Chuy e Aceguá-Aceguá), relacionando as questões fronteiriças e a UFPel, a partir de cartografias urbanas e sociais. Trata-se, em especial, de analisar o inventário das produções fotográficas da pesquisadora, durante viagem pela região de fronteira entre Brasil e Uruguay, em março de 2016. Esse levantamento visual tem como foco as Escritas Urbanas, manifestações poéticas/artísticas que povoam muitas cidades contemporâneas, cujas significações surgem com a compreensão das intrínsecas relações entre o fenômeno (a cidade), o sujeito e seu contexto social e histórico. Tal apreciação contempla as escritas urbanas como construções estéticas e discursivas, cuja presença em território de fronteira dá visibilidade a questões particulares desses espaços. Além disso, os registros fotográficos manifestam-se como sínteses simbólicas da experiência vivida, devaneios poéticos acerca do espaço, como propõe Gaston Bachelard.
Palavras-Chave: Artes Visuais, Escritas Urbanas, Fronteira, História.

 

SENTINELAS DA FRONTEIRA: A CARTO/FOTO/GRAPHIA COMO PRÁTICA DA PESQUISA EM FOTOGRAFIA E EDUCAÇÃO

Ítalo Franco Costa (italofrancocosta@gmail.com)
Cláudia Mariza Mattos Brandão (attos@vetorial.net)
Resumo
Este texto tem como objetivo discutir sobre a metodologia da Carto/Foto/Graphia, utilizada nas pesquisas desenvolvidas no âmbito do PhotoGraphein – Núcleo de Pesquisa em Fotografia e Educação (UFPel/CNPq). Desse método resultam dados/imagens procedentes de processos idiossinCRIÁticos (BRANDÃO, 2012) durante derivas (DEBORD, 1960). Ou seja, são oriundas de processos que instigam a maneira de ver, sentir ou reagir, de acordo com o modo de ser de cada um, sacralizando o olhar por meio da criação de suportes fotográficos simbólicos. Para tal reflexão serão utilizados registros obtidos durante uma viagem de estudos realizada em março de 2016 pela região fronteiriça do Rio Grande do Sul. Com base na metodologia citada, buscou-se mergulhar no trajeto antropológico das doze cidades visitadas, pontuando-se: a história dos seus monumentos; a presença de escritas urbanas; a constituição dos solos; e a observação da vida cotidiana. O caso aqui analisado contempla a perspectiva visual dos bustos espalhados pelos marcos de cada cidade, como uma metáfora mitológica da sentinela. Os resultados demonstram que a fotografia se coloca como um meio fecundo para o desenvolvimento de uma reflexão crítica a respeito do mundo, revelando uma fronteira para além do visível, do não-percebido no âmbito do cotidiano. A discussão integra as ações do projeto de pesquisa “DO PÍNCEL AO PÍXEL: sobre as (re)apresentações de sujeitos/mundo em imagens”, desenvolvido pelos pesquisadores do PhotoGraphein.
Palavras-Chave: Carto/Foto/Graphia; Fotografia; Deriva; Fronteira.

Geologia da Fronteira Brasil - Uruguay: como criar uma ficção geológica.

Gustavo Reginato (gustavoreginato@editoracaseira.com)
Resumo
Alguns pequenos passos para a criação de uma ficção geológica e fronteiriça. Geologia da Fronteira Brasil – Uruguay é uma narrativa ficcional ainda em produção, com fotografias, textos, desenhos e vídeos feitos durante e após a viagem na Fronteira Brasil- Uruguay. Contém breve passo a passo e prévia da publicação.
Palavras-Chave: Geologia, Fronteira, Fizção, Fotografia, Ilustração

Cotidiano da fronteira Brasil - Uruguay

Rodrigo de Assis Brasil Valentini
(rodrigovalentini@furg.br)
Resumo
O projeto Para-formal na Fronteira, coordenado pelos profs. Eduardo Rocha e Cláudia Brandão, proporcionaram, via edital, uma intensa experiência de poder vivenciar, conviver, estar durante seis dias, com vinte e duas pessoas em seis cidades fronteiriças do Rio Grande do Sul e Uruguai. Formávamos um grupo com formações diferentes e interesses múltiplos, cada qual buscando seu foco de estudo. Fui campesino, arquiteto, paisagista, artista, urbanista, historiador, antropólogo e pleiteando ser reconhecido como arqueólogo.
Com minhas andarilhagens pelo mundo aprendi a observar os/as que me rodeiam, sempre com o objetivo de entender como se relacionam e então tentar interagir, conviver com as varias tribos e evitando perpetuar pré-conceitos que os grupos possam ter entre si e reproduzi-los comigo. Observar o cotidiano dos viventes que me rodeiam foi tarefa aprendida ainda com meu avô, que desde cedo me ensinou que há mundos diferentes dentro de casa, que dirá fora dela e que estes deveriam ser respeitados.
Palavras-Chave: Arqueologia, Cotidiano, Fronteira

CARTOGRAFIA URBANA SENSÍVEL: Uma experiência na fronteira Brasil-Uruguay

Lorena Maia Rezende (lorenamilitao@gmail.com)
Dr. Eduardo Rocha (amigodudu@yahoo.com.br)
Resumo
A palavra cartografia remete a mapas, desenho em duas e/ou três dimensões confeccionados digitalmente que podem ser impressos ou virtuais que representam um espaço, um lugar seja ele geográfico, imaginário ou conceitual. Os mapas são meios de comunicação e análise. Comunicação visual, mas também imagética, sonora, sensitiva. De não só localizar, mas de sentir o lugar. A cartografia não só comunica como é fotografia, psicologia, desenho. Pode-se dizer que a cartografia de um espaço é determinada por um conjunto de mapas que são representados de maneiras distintas, pois cada mapa tem um objetivo específico e uma maneira de representação próprios. A dissertação de mestrado, ainda em andamento, intitulada “CARTOGRAFIAS URBANAS NA LINHA DE FRONTEIRA: travessias nas cidades gêmeas Brasil-Uruguay” tem como objetivo investigar os novos sentidos e potencialidades das cidades de fronteira através do método da cartografia urbana sensível. Devido a certa inquietação sobre os atuais discursos hegemônicos referidos a essa fronteira Brasil-Uruguay que recebe epítetos de fronteira-viva, fronteira-modelo, fronteira da paz, sendo considerada a fronteira mais aberta, densa e homogeneamente povoada – adjetivações apontadas por Adriano Silva Pucci (2010) no Estatuto da Fronteira -, a intenção é colaborar para que o discurso da Fronteira seja mais íntegro no contexto contemporâneo, e enuncie as novas potencialidades. Se faz necessário compreender o que é ser e estar em fronteira. Um conceito que constantemente evolui, se cria e re-cria no espaço-tempo. De um lugar de conflito, disputa por poder e posse territorial, até um lugar estratégico de potencializadades e integração. Ser fronteira é lidar com o dualismo cotidiano, perceber o eu e o outro, as diferenças e semelhanças, se enraizar as tradições ou desejar a errância e nomadismo.
Palavras-Chave: Cartografia, Fronteira, Urbano, Paraformal

uma publicação multiplataforma produzida por:PhotoGraphein – Núcleo de Pesquisa em Fotografia e Educação (UFPel/CNPq) http://photographein-pesquisa.blogspot.com.br/
Editora Caseira www.editoracaseira.com

Participantes da Exposição itinerante:Cláudia Mariza Mattos Brandão, Gustavo Reginato,Ítalo Franco Costa, Rodrigo de Assis

Participantes do e-book interativo:Cláudia Mariza Mattos Brandão, Eduardo Rocha, Gustavo Reginato, Ítalo Franco Costa, Lorena Maia Rezende, Rodrigo de Assis

BRANDÃO, Cláudia Mariza Mattos; REGINATO, Gustavo (organizadores) PhotoGraphein na Fronteira: Brasil – Uruguay /Cláudia Mariza Mattos Brandão; Gustavo Reginato (org.)1ªed. Florianópolis; Editora Caseira, 2017.  E-book
ISBN    978-85-68923-34-4
1. E-book 2. Publicação de Artista 3. Fotografia      4. Fronteira